22/09/2026
Canetas emagrecedoras não podem servir de solução rápida para crianças e adolescentes, alerta Sociedade de Pediatria do RS
Medicamentos podem fazer parte do tratamento em situações específicas, mas exigem indicação, avaliação especializada e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento
A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” também chegou às famílias de crianças e adolescentes, aumentando as dúvidas sobre quando esses medicamentos podem ser utilizados e quais os riscos do uso sem orientação. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) alerta que essas medicações podem integrar o tratamento da obesidade e de algumas condições metabólicas em pacientes pediátricos, mas somente dentro de critérios específicos e com acompanhamento médico. O uso apenas para fins estéticos ou por conta própria pode trazer consequências importantes à saúde.
No Brasil, as indicações pediátricas variam de acordo com o medicamento. Segundo nota de alerta publicada em 24/08 pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a liraglutida pode ser utilizada no tratamento da obesidade em adolescentes a partir dos 12 anos e com peso superior a 60 quilos, além de possuir indicação para diabetes mellitus tipo 2 a partir dos 10 anos. A semaglutida tem indicação para obesidade a partir dos 12 anos e peso superior a 60 quilos. Já a tirzepatida possui indicação pediátrica para diabetes mellitus tipo 2 a partir dos 10 anos.
O endocrinologista pediátrico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Guilherme Guaragna Filho, reforça que a existência dessas opções terapêuticas não significa que devam ser utilizadas indiscriminadamente.
“Apesar de nosso arsenal terapêutico estar cada vez melhor, não existe solução mágica. Um emagrecimento saudável e consistente também exige mudança de estilo de vida”, afirma.
Entre os riscos relacionados ao uso sem acompanhamento especializado, o médico destaca hipoglicemia, alterações dos eletrólitos, perda de massa magra, prejuízos ao crescimento e alterações menstruais em meninas. A SBP também chama atenção para efeitos gastrointestinais, como náuseas, vômitos, refluxo, diarreia e constipação, além de eventos potencialmente mais graves, como pancreatite e problemas na vesícula.
Outro alerta está relacionado ao uso exclusivamente estético. Crianças e adolescentes estão em fase de crescimento e desenvolvimento, e uma perda de peso sem indicação ou acompanhamento pode interferir nesse processo. A nota da SBP ressalta ainda que a busca por um padrão corporal pode favorecer comportamentos alimentares inadequados e problemas relacionados à imagem corporal.
Antes de iniciar o tratamento, a avaliação deve ir além do peso apresentado na balança. Guaragna Filho explica que é necessário realizar exame físico completo, considerando estágio da puberdade, crescimento e desenvolvimento, além de avaliação laboratorial e metabólica.
“É preciso avaliar a criança ou o adolescente de maneira completa e tirar todas as dúvidas antes de considerar o uso dessas medicações. E é importante lembrar que a medicação sozinha não resolve”, orienta.
A SPRS reforça que o tratamento da obesidade pediátrica deve considerar alimentação, atividade física, sono, rotina familiar, saúde emocional e possíveis doenças associadas. Quando houver indicação de medicamento, a decisão deve ser individualizada e acompanhada ao longo do tratamento, observando não apenas a perda de peso, mas também a preservação da massa muscular, o crescimento e o desenvolvimento saudável.
Pais e responsáveis que estejam preocupados com o peso de uma criança ou adolescente devem procurar inicialmente o pediatra. Quando necessário, o acompanhamento pode incluir endocrinologista pediátrico e outros profissionais de saúde.
Redação: Marcelo Matusiak