23/09/2026

Apoio da família pode tornar o tratamento do câncer menos solitário

Especialista destaca que ouvir, respeitar a autonomia do paciente e dividir tarefas são atitudes que ajudam durante o tratamento oncológico

O diagnóstico de câncer não modifica apenas a rotina de quem recebe a notícia. A família também passa a conviver com consultas, exames, mudanças no dia a dia, incertezas e expectativas relacionadas ao tratamento. Nesse cenário, a presença de pessoas próximas pode ajudar a reduzir a sobrecarga emocional e prática, desde que respeite as escolhas do paciente e não se transforme em pressão para que ele demonstre força o tempo todo.

Essa atenção a quem está ao redor também faz parte da proposta da Clínica Enlace, que possui unidades em Novo Hamburgo e Porto Alegre e reúne serviços relacionados ao tratamento oncológico. A clínica conta com equipe multiprofissional e estrutura planejada para acolher pacientes e familiares nas diferentes etapas do acompanhamento.

Segundo a diretora médica da Doctor Clin, Michele Gracioli Schneider, o suporte familiar aparece muitas vezes em atitudes simples e concretas, como acompanhar uma consulta, organizar o transporte, preparar uma refeição ou assumir temporariamente alguma tarefa da casa.

“O paciente precisa sentir que pode falar sobre seus medos, pedir ajuda ou simplesmente ficar em silêncio, sem precisar demonstrar força o tempo todo. Ao mesmo tempo, é importante perguntar antes de decidir por ele. O apoio deve amparar sem retirar do paciente a possibilidade de continuar fazendo escolhas sobre a própria vida”, explica.

A forma de conversar também merece atenção. Tentativas de encorajamento podem ter efeito contrário quando transformam sentimentos naturais, como medo e tristeza, em algo que deveria ser evitado. Expressões como “você precisa ser forte” ou “não pode pensar assim” podem fazer com que a pessoa esconda o que está sentindo para não preocupar quem está ao redor.

Uma alternativa é priorizar a escuta. Perguntas como “o que está mais difícil para você hoje?” ou “você quer conversar sobre isso ou prefere fazer outra coisa?” ajudam a respeitar o momento e as necessidades de cada pessoa. Comparações com outros casos, conselhos não solicitados e decisões tomadas sem a participação de quem está em tratamento também devem ser evitados.

Quem cuida também precisa de cuidado

O impacto emocional do câncer pode atingir igualmente familiares e cuidadores. Além da preocupação com o paciente, eles enfrentam mudanças na rotina, espera por resultados e aumento de responsabilidades. Por isso, reconhecer os próprios limites também faz parte desse processo.

“Muitas vezes, o familiar tenta dar conta de tudo e deixa suas próprias necessidades para depois. Pode até sentir culpa por estar cansado ou precisar de uma pausa. É importante reconhecer que esse cansaço não diminui o amor nem o compromisso com o paciente. Dividir responsabilidades e manter momentos de descanso ajuda a sustentar esse acompanhamento ao longo do tempo”, afirma Michele.

O apoio psicológico pode ser procurado desde o diagnóstico, inclusive para ajudar a família a conversar sobre o que está vivendo e organizar a nova rotina. Essa orientação se torna especialmente importante quando a preocupação ocupa quase todo o dia, o sono fica comprometido, a tristeza ou a irritabilidade persistem ou surgem dificuldades para trabalhar, se relacionar e cuidar de si.

A Clínica Enlace atende pacientes em Novo Hamburgo, na Rua General Osório, 1103, e em Porto Alegre, na Rua Vicente da Fontoura, 1470. Mais informações sobre a estrutura, os serviços e as formas de atendimento estão disponíveis em www.enlaceoncologia.com.br.

Redação: Marcelo Matusiak

 


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