05/10/2026
AMRIGS e SBD-RS alertam para os riscos do skincare infantil
Nota Conjunta | Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e Sociedade Brasileira de Dermatologia - Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS)
A popularização de vídeos sobre beleza e rotinas de skincare nas redes sociais tem estimulado crianças a reproduzir hábitos divulgados por influenciadoras digitais. Muitas dessas publicações apresentam sequências extensas de cuidados e indicam produtos desenvolvidos para adultos, favorecendo exageros, o uso precoce de cosméticos e combinações inadequadas de substâncias. Diante desse cenário, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção Rio Grande do Sul (SBD-RS) manifestam preocupação com a crescente adesão do público infantil a essas práticas.
O uso de cosméticos formulados para o público adulto, especialmente aqueles com ácidos, retinol, ativos anti-idade, esfoliantes e outros componentes com maior potencial irritativo, pode causar danos à pele infantil. Entre as possíveis consequências estão irritações, alergias, dermatites, manchas, queimaduras químicas e comprometimento da barreira natural de proteção.
A pele das crianças é mais fina, sensível e ainda está em processo de desenvolvimento. Por essa razão, apresenta maior vulnerabilidade à ação de componentes químicos presentes em formulações que não foram produzidas para essa faixa etária. A mistura de diferentes itens ou a reprodução de rotinas com várias etapas, sem orientação médica, amplia a possibilidade de reações adversas.
As entidades também alertam que hidratantes destinados a peles maduras podem favorecer o surgimento de cravos e espinhas em adolescentes, enquanto esfoliantes e produtos abrasivos podem provocar agressões desnecessárias. A exposição precoce e frequente a numerosas substâncias ainda eleva a possibilidade de dermatite de contato.
A AMRIGS e a SBD-RS reconhecem que o incentivo ao autocuidado pode contribuir para a formação de hábitos saudáveis. No entanto, durante a infância, essas práticas devem ser simples, adequadas à idade e direcionadas ao bem-estar, sem antecipar preocupações estéticas próprias da vida adulta.
As medidas recomendadas incluem o uso de sabonete suave e apropriado para a faixa etária, protetor solar infantil, chapéus, roupas que auxiliem na proteção e permanência em locais com sombra nos períodos de maior radiação. Hidratação adequada, alimentação equilibrada e orientações sobre os riscos da exposição solar também devem integrar a educação em saúde.
Pais e responsáveis precisam acompanhar os conteúdos consumidos pelas crianças e observar mudanças de comportamento relacionadas à aparência. A preocupação excessiva com supostas imperfeições, a necessidade constante de utilizar maquiagem ou cosméticos e a insatisfação com a própria imagem merecem atenção.
Diante de vermelhidão, coceira, descamação, ardência, manchas, inchaço ou qualquer outro sinal de reação, a aplicação do produto deve ser suspensa imediatamente. A avaliação de um médico dermatologista é indicada sempre que houver lesões persistentes ou dúvidas sobre a segurança de determinado cosmético.
A infância deve ser preservada como uma etapa de desenvolvimento, aprendizado e formação de práticas de bem-estar. Os cuidados com a pele infantil precisam priorizar proteção e segurança, respeitando as necessidades de cada faixa etária.
Dr. Gerson Junqueira Jr.
Presidente da AMRIGS
Dra. Flávia Reginatto
Dermatologista associada da SBD-RS