30/01/2026

Alimentos sob altas temperaturas exigem atenção redobrada da população

AMRIGS e seu Departamento de Nutrologia alertam para riscos de contaminação no verão e orientam sobre cuidados simples no dia a dia

As altas temperaturas do verão aumentam de forma significativa o risco de contaminação alimentar, um problema de saúde pública que está entre as principais causas de morte no mundo. Diante desse cenário, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e o Departamento de Nutrologia da AMRIGS buscam orientar a população sobre prevenção contra intoxicações, infecções gastrointestinais e complicações associadas, especialmente em crianças e idosos.
 
A contaminação dos alimentos pode ocorrer, de maneira geral, por dois grandes grupos de agentes. O primeiro envolve contaminantes químicos, como resíduos de produtos de limpeza utilizados de forma inadequada em frutas e verduras ou o uso incorreto de defensivos agrícolas, sem respeito às normas e ao tempo de segurança estabelecido pelos órgãos reguladores. A higienização incorreta, como o uso de detergentes domésticos sem enxágue adequado, pode tornar o alimento ainda mais nocivo ao consumo.
 
Frutas e verduras consumidas cruas devem ser lavadas em água corrente e, quando indicado, submetidas à desinfecção com produtos apropriados à base de cloro ou soluções específicas para esse fim, disponíveis no comércio. O uso de vinagre pode auxiliar na limpeza superficial, mas não substitui métodos adequados de desinfecção.
 
O segundo grupo, considerado o mais frequente e grave no verão, é a contaminação por microrganismos, como bactérias, vírus e parasitas. O calor favorece a multiplicação desses agentes, tornando essencial o cuidado com a conservação dos alimentos. Recomenda-se o consumo imediato logo após o preparo, ou, caso sobrem, o armazenamento em condições adequadas de temperatura. Alimentos perecíveis de origem animal, como carnes, queijos, presuntos, ovos e derivados, devem permanecer sempre sob devida refrigeração. Quando não houver consumo em curto prazo, o congelamento é uma forma segura de preservação.
 
É recomendado evitar o consumo de alimentos expostos por longos períodos em temperaturas mornas, como estufas aquecidas, comuns em viagens e paradas de estrada. A preferência deve ser por opções preparadas na hora. Em situações como piqueniques ou deslocamentos longos, o transporte deve ser feito em caixas térmicas, permanecendo resfriados até o momento do consumo.
 
Outro ponto de atenção no verão é a desidratação, frequentemente associada a quadros de diarreia e vômitos decorrentes de contaminação alimentar. Crianças e idosos merecem monitoramento constante, pois podem não perceber ou relatar sede de forma adequada. A ingestão regular de líquidos deve ser estimulada, observando sinais como a coloração da urina. Em casos de diarreia, é fundamental repor água e eletrólitos com urgência.
 
A AMRIGS e o Departamento de Nutrologia reforçam que informação e prevenção são as principais ferramentas para reduzir riscos à saúde neste período do ano. A adoção de cuidados simples no cotidiano contribui de forma decisiva para evitar doenças e internações relacionadas à alimentação.
 
Dr. Gerson Junqueira Jr.
 
Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS)
 
Dr. Paulo Heinkin
 
Presidente do Departamento de Nutrologia da AMRIGS

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