A inteligência artificial e o novo capítulo da comunicação
A tecnologia é uma aliada estratégica para ampliar produtividade, mas sem perder a essência criativa
A comunicação vive um de seus períodos mais transformadores com o avanço acelerado da inteligência artificial. Jornalistas de veículos de comunicação e assessores de imprensa têm sido provocados a repensarem seus métodos de trabalho.
Não foram poucas as vezes que vi colegas jornalistas meio envergonhados ao serem questionados se estavam usando Chat GPT ou outas ferramentas de IA. Parecia um descrédito se respondesse que sim e via sempre um misto de vergonha e medo de que essa “coisa” roubaria nosso lugar. Porém, acredito que esse cenário já mudou. A tecnologia, antes vista com desconfiança, hoje se consolida como uma aliada estratégica, desde que utilizada com critério e conhecimento.
O que observo é que a IA não substitui a essência do nosso ofício. A criação de um texto, a escolha do enfoque, a sensibilidade diante dos fatos e a capacidade de interpretação continuam sendo atributos exclusivamente humanos. No entanto, tarefas operacionais que consumiam tempo e energia, como organizar estruturas de texto, ajustar coesão, revisar trechos e compilar informações passaram a ser executadas com maior agilidade por essas ferramentas. Que maravilha quando descobri que não precisava mais de forma manual formatar uma listagem imensa de tópicos que exigiam zero de raciocínio lógico, e sim um monte de tempo com algo operacional. Era como bater repetidamente um martelo numa indústria. Com isso, abrimos espaço para aquilo que realmente importa: pensar, apurar, interpretar e criar.
Tanto na assessoria de imprensa quanto nas redações, a busca é a mesma: aumentar a produtividade sem perder qualidade. Do lado das assessorias, a IA contribui para a elaboração de conteúdos mais alinhados ao que os veículos precisam, qualificando o relacionamento entre fontes e imprensa. Do lado dos jornalistas, auxilia no fechamento das matérias, otimizando o fluxo de trabalho em ambientes cada vez mais enxutos.
Mas nada disso funciona se abrirmos mão da nossa capacidade criativa. A tecnologia só é efetiva quando colocada para potencializar talentos, não para substituí-los. Por isso tenho incentivado a usar, mas na condição de que o comando seja dado já com a nossa “cara”, ou seja, com nossa personalidade. Ao final, também vale a dica. Não confie na versão entregue pela IA. Cabe a nós garantirmos que cada texto mantenha identidade, olhar crítico e sensibilidade, características que nenhuma máquina reproduz plenamente.
Em um cenário tão competitivo, ganha espaço quem souber usar a IA como um recurso estratégico, preservando o valor humano que sustenta a comunicação. No fim, o equilíbrio é a chave. A inteligência artificial veio para somar e, não para substituir, a força criativa que move nossa profissão.
Jornalista e diretor da PlayPress Assessoria e Conteúdo
Marcelo Matusiak
MTB (10063)